O Festival: 2008-2015

Quando o ManiFestaSol surgiu, em 2008, não era nem coletivo nem festival. Era um plano: mobilizar parte da cadeia produtiva da cultura independente para realizar eventos integrados, de total fruição artística, mesclando ações que normalmente aconteciam separadamente na cidade, que naquele momento vivia um período de grande fruição artística, mas que muitas vezes sofria pela falta de espaço. Assim, as primeiras atividades do ManiFestaSol, em agosto e novembro de 2008, foram divulgadas pelas ruas da cidade acompanhadas por um manifesto:

 

“O ManiFestaSol brotou inicialmente da necessidade, cada vez maior, de alguns artistas independentes encontrarem um canal alternativo para apresentarem seus trabalhos e idéias. Em rede, organizaram-se atores, pintores, dançarinos, músicos, produtores de vídeo e apreciadores de arte para criarem um movimento cultural de livre expressão. Pretende-se criar um espaço onde todas as expressões artísticas de caráter autoral sejam socializadas, fazendo com que os participantes respirem arte. O convite está feito! Basta apenas o teu movimento…”

 

 

Arte dos pôsteres: 2008 – Sayonara Guaresi, Guido Bracagioli, Breno Dallas, parceria com o SESI; 2009 – Breno Dallas e Guido Bracagioli; 2010 – Breno Dallas e Guido Bracagioli; 2011 – Alisson Andrighetti; 2012 – Lucas Lizot; 2013, 2014 e 2015 – Alisson Andrighetti.

Pira Rural 2013 – A Cascatinha é Muito Amor!!!

A chegada no Pira Rural permite a esplêndida visão de fazendinha, com vacas e o sol batendo na grama verde do sítio. Abanos e chamados indicavam que o caminho para o festival era aquele.

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Agricultura familiar total e moeda complementar total

O dia se inicia com almoço bem servido, vegano ou colonial, ficando à escolha de quem levou seu prato e seu talher (e para quem não levou, a cozinha do Pira disponibilizava uma louça). Todos os alimentos e bebidas vendidas no Pira são produzidas pela agricultura familiar presente na região. Cachaça, graspa de mel, vinho, suco de uva natural (naturalíssimo), somavam ao menu de bebidinhas mágicas para elevar, embriagar ou saciar o âmago dos dionisíacos. Teve até sopa pá nóis, na madrugada de sábado. Feita por várias mãos, hidratou a festiva reunião, fazendo dobradinha com o pão com moio, ou com o pastél, ou ainda com aquele delicioso sanduíche para o café da manhã. Tudo isso cambiável pelos Piras, moeda complementar do Pira Rural, uma prática que demarca o território da contestação ao modelo vigente de valoração do trabalho humano, o vil metal.

 

Estrutura de Festival, metodologia do amor

Em termos de estrutura, percebemos que a organização do festival investiu em aprimorar detalhes negativos observados durante a edição do ano passado. Os banheiros são um capítulo à parte de qualquer falatório. O Pira propôs o exercício do dever cidadão de cuidado com a água, no seu abuso e uso. A falta dela era elementar ao que nós humanos deveríamos exercer, a nossa criatividade e senso de comunidade. O “meu” banho se tornava mais amplo, e a cascatinha oferecia o banho coletivo e gelado, com gosto de beijo aquático! A gestão dos banheiros, sob responsabilidade do Duda (que mereceu inclusive homenagem no sábado), é algo a ser levado muito a sério como modelo de sustentabilidade de festival. Nunca um festival teve um banheiro tão organizado e limpo.

Após o almoço, nos deparamos com uma estrutura muito inteligente, uma pia feita de bambus, onde o ato agradabílissimo de lavar a louça se somava à partilha daquele momento com algum desconhecido, bom momento para uma conversa.

A programação do festival girava em torno da Rádio Camarim, tocada pelo Gustavo, promovendo interação com o público e com as bandas, além de muita música boa.

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Turismo Rural e Aproximação com a comunidade de Ibarama

Uma das principais ações do Pira Rural 2013 foi a visita à propriedade dos agricultores Mário e Remilde Raminelli, uma experimentação de turismo ecológico, algo novo na região. Foi muito lindo. É o casal quem ‘sistematiza e articula’ (só faltou uma TEC kkk) a plantação de infinitas espécies de plantas em 13 equitares de terra. Cana de açúcar, fumo, milho, laranja, caqui, goiaba, mandioca, amendoim, ameixa, erva mate… Tudo lá,  tomando conta da terra em conexão com a ordem da natureza. E eles ainda estiveram no Pira Rural para conhecer o espaço e a galera também. A aproximação da comunidade ao festival estimula ainda mais a execução de projetos interligados com necessidades locais, fortalecendo a cidade e sua gente. Desmistifica também a figura do jovem, inserindo o mesmo nos processos comunitários. Essa ação também promove o turismo rural para Ibarama, uma possibilidade real e economicamente viável, uma vez que o lugar é lindo e é berço de experiências e figuras magníficas.

 

Bandas & Brindes

Quanto à música, só podemos dizer que o Pira foi muito bem brindado, entre bandas de rock e vertentes diversas. Desde o memorável show da Sapo Jones & Coyote Bill próximo à Cascatinha, até os mais de dez shows que rolaram no Palco Pira, todos dançaram às baladas autorais, que passearam entre psicodelia, blues rock, quebras progressivas e climas caipira-folk. Talvez pareça injusto destacarmos somente alguns shows, mas fica registrado aqui o nosso grande apreço pelas bandas Quarto Sensorial e Sopro Cósmico, formadas por grandes músicos, ótimas pessoas também, além de Saturno de José e a incrível banda Cabeçote, de um pessoal muito bacana e solicito de Curitiba, que reuniu além do show, retroprojetor com várias imagens doidas.

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As bandas da região da serra fizeram bonito no Pira

Três bandas da região da serra tocaram no Pira Rural 2013. A Célula, banda do eixo Caxias/Farroupilha apresentou um show bastante preciso, com interações bacanas de visual, música e conversa. A Mahabharata abriu os shows que aconteceriam no sábado, com uma apresentação sóbria, com espaços e silêncios que permitiam uma impressão em terceira dimensão do som. A Velho Hippie, antecipando o lançamento do disco Flor Lilás, que será lançado em Abril/Maio, com vários shows na rua, fez uma grande apresentação, com uma montagem especial no palco Ricas Abóboras.

 

A presença do Manifestasol Coletivo

O ManiFestaSol esteve presente realizando algumas ações específicas, frutos da parceria com o festival, que surgiu em 2011 e segue, cada vez mais coração e integração. Para o festival, levamos a banquinha com produtos de bandas independentes, junto ao material da Distro FdE e Marias Lavrandeiras, incluindo também lançamentos especiais das bandas Velho Hippie e Saturno de José (CDs, camisetas e até panos de prato!).

Além disso, o Manifesta esteve na gestão da equipe de mídia, que se ocupou de produzir um documentário sobre o festival, a ser lançado em breve, além de intensa cobertura fotográfica, que também em breve será postado no perfil do Pira Rural no facebook. Além disso, algumas falas e entrevistas nos foram reservadas na Rádio Camarim, que esteve presente nos 3 dias de festival, sem parar!

 

Valeu Cascatinha!!!

Entre muitas ações envolvendo arte livre, oficinas terapêuticas, vivências diretas com a natureza e muita música autoral, podemos destacar a imensa particularidade do Pira Rural: do início ao fim do festival, todos pareciam se sentir em casa, e este sentimento parecia estar presente na maioria das pessoas, que reconheciam um ao outro como velhos amigos. Talvez isso parta da própria forma como a organização gere o festival, com muita sensibilidade e empatia. Isso faz do Pira Rural um festival modelo, em questão de boa receptividade e gestão adequada aos moldes e ao tamanho proposto. Uma pena que terminou, era o sentimento geral.

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E que venha o Pira Rural 2014!!! Estaremos junto!!!

Grupo Teatral A Gangorra, em “A Festa de Aniversário”

Nesta noite de quarta-feira, 27 de março, dia do teatro e do circo, grandes vertentes das artes cênicas, a Praça Dante Alighieri recebeu o grupo teatral A Gangorra, com a peça “A Festa de Aniversário”, uma interessante peça sobre uma família de moradores de rua.

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O teatro de rua já é uma forma de interação social direta e muito bacana, pois lida com todo tipo de público presente, com todo tipo de transeunte possível. Podemos dizer que a construção de público e da peça como um todo também se faz no próprio momento da apresentação. Enquanto os atores respiram e apresentam, o público fica não só diante da peça, mas diante da cidade, da sociedade, do universo de coisas que um centro urbano gera em seu simples acontecer.

No caso desta peça, temos uma narrativa muito interessante, que é a observação e a relação do morador de rua com as coisas ao seu redor, e nada mais nada menos que a própria cidade acontecendo, diante de uma série de exclusões sociais muito complicadas. Estamos diante de um sistema onde a exclusão existe, e muitos não ligam para isso. Diante disso, é muito interessante que uma peça de teatro traga esta narrativa para o nosso cotidiano.

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Destacamos uma parte em especial: em certo momento, um dos personagens liga um rádio, e nele alternam música clássica e funk carioca. Os personagens, um a um, assimilam de um jeito muito interessante o estímulo de cada tipo de música dentro do contexto do morador de rua, do popular, da complexidade e da simplicidade musical. Nos arranjos clássicos, as crianças choram e os adultos ficam em silêncio. No funk carioca, todos dançam, todos se divertem. Talvez nem todos concordem que este seja um reflexo social bastante real. Mas não vale citar? Vale. A assimilação da música popular, o funk carioca e o pop comercial, estão no imaginário social de todos. Lek lek lek lek.

Muita Gente, aprendizado, sol e todos os Gritos da música: a diversidade da terceira edição do Grito Rock Caxias do Sul 2013

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O aprendizado horizontal, o ensino livre, a relação interpessoal, a estrutura midialivrista e, sobretudo a emoção que fundamenta o social. Antes do discurso o talento, antes da técnica, o sentir. É através da vivência que se constitui o social, que faz evoluir as ações ligando um ao outro. Assim, exatamente as relações humanas que não sejam fundadas no ‘sentir’ não são relações sociais.

Poderíamos começar a retratar tudo de um modo diferente, através de números que comprovassem, mas já que vamos falar do GRITO ROCK, edição Caxias do Sul 2013, vai ser mais fácil passar a ideia de uma forma diferente. A palavra “grito” por si é expressiva, é resultado do que alguém sentiu! Ou seja, falaremos aqui de causa e efeito, legitimamente: das causas que levaram um grande grupo a acreditar nos efeitos. Na recompensa de conhecimento horizontalizado. Acreditar no que compreende uma morfologia completamente diferente de trabalho coletivo convencional, pois neste aqui, o trabalho de produção consiste em aprender com o outro, com o desconhecido.

As preparações para o Grito Rock de Caxias do Sul começaram sete meses antes do evento acontecer, por concessão e envolvimento de gente com vontade de evoluir e revolucionar, com um grito inicialmente tímido, mas que logo se ouviu de longe. Alinhado ao máximo nível  de aceitação, foi realmente um prazer selecionar as bandas. Assim como, produzir materiais gráficos, estimular a circulação de bandas independentes, o intercâmbio de tecnologia de produção, exposição de produtos de qualidade, envolver serviços competentes o suficiente para planejar a total estrutura e logística que abrangesse o tamanho do evento. E a intensidade.

Na verdade quem esteve presente nesses cinco dias acompanhou o subversivo do fazer. As articulações e parcerias foram um caminho trilhado em grupo. Um número de quase 50 colaboradores ativos, entre eles 15 integrantes que traziam ao pescoço um crachá com a identificação “Produção Geral” quais pertenceram maiores atribuições e afazeres como, por exemplo, avaliar as 525 bandas inscritas, selecionar as 16 e dividi-las em shows com 1h de duração durante 4 dias, integrando mais de 60 artistas à participação do público que contamos 4 mil ao todo.

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Sem contar a equipe de aparelhagem, apoiadores diretos e indiretos. Mais de 22 atrações em quatro dias, entre shows, workshop sobre empreendedorismo, oficinas, mostra audiovisual, circuito de moda, camelô 2.0, plantio de árvores, consciência social, desenvolvimento da ação cultural como um todo, juntando elementos. O novo se faz em rede, em 2013 o Grito Rock aconteceu em 300 cidades em mais de 30 países, é tanto três nisso, que o que realmente importa é dizer que dezenas de cidades aderiram a uma forma digital para dar visão às suas produções locais, reverenciando o original com qualidade.

O grito foi a verdadeira abrangência de gêneros. Entre a música latina e o pop, o público presente pode curtir a vibração proposta pelo reggae, pelo folk, a provocação do metal, a atitude do eletrônico, do elemento, do indie e do grunge. Portanto, os quatro dias de atividades foram valorizados por cada um que presenciou a produção e a evolução da cena independente regional.

A contribuição e fortalecimento de um novo modelo de disseminação cultural, comprovou sua eficiência! Percebemos que a distribuição em rede dá certo porque fizemos e ainda há muito por fazer para essa evolução. O que foi feito no Grito Rock Caxias do Sul, esteve expresso em uma das obras de arte feitas ao vivo durante o festival, quando o “grafiteiro”, escreveu em letras sinuosas sobre a importância do estudo, do pensamento e principalmente da evolução.

Além desta troca de conhecimentos, artistas trocaram contatos para próximos shows. Caixas de leite  viraram carteiras; papéis viraram cartões; folhas viraram obras pintadas por crianças; tecidos em caules de árvores, simples relações pessoais em amizades. O Grito virou pauta de revista, jornal, rádios e TVs locais.  E virou, virado, virou viral, varal em redes sociais.

A 3ª edição do Festival na cidade contou com o apoio do Financiarte, que trouxe amplitude ao evento, fez com que as pessoas tivessem acesso gratuito, ao ar livre, aproveitando um dos pontos turísticos da cidade, o Parque dos Macaquinhos. Onde o evento registrou um número de público participante sete vezes maior que a edição anterior.

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Veja o álbum de fotos aqui.

Grito Rock Cxs 2013

Grito Rock Caxias do Sul vai estar imperdível! São 16 bandas, ações de formação, exibição de filmes na rua, apresentações em locais diversos e climas diferenciados! E que faça-se o sol! De 20 a 24 de fevereiro, Caxias do Sul vai gritar! E todos estão convidadíssimos para gritar junto!!

O Grito CXS tem o financiamento do Financiarte, e apoio cultural da T-Shirts’ Store Banca de Camisetas e da Hip Muito além do Skate

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Lançamos também a Mixtape Grito Cxs 2013! Escute online ou baixe gratuitamente:http://snd.sc/YzGoiq

Velho Hippie e Vivant

Velho Hippie e Vivant na Casa Paralela no 1º domingo do ano!

Se 2012 foi um ano repleto de transformações, e 2013 já inicia sua primeira semana em intensos vôos!!! Neste domingo, ManiFestaSol e Casa Paralela unem forças para a realização do primeiríssimo evento do ano, domingo solar com show das bandas Velho Hippie (Caxias do Sul/RS) e Vivant (Sorocaba/SP).

A entrada é gratuita, e a diversão, garantidíssima. Esperamos todos!! o/

Velho Hippie e Vivant

Velho Hippie e Vivant na Casa Paralela

Festival ManiFestaSol 2012 – O Quinto Sol

O Festival ManiFestaSol é um festival que contempla projetos musicais, teatrais e de dança, vivência de produção cultural, cobertura colaborativa, oficinas, cultura da paz e difusão de material produzido pelos artistas, abrangendo os segmentos artísticos regionais e nacionais. Realizado desde 2008, chega em 2012 a sua 5ª edição: “O Quinto Sol”.

Realizado na cidade de Caxias do Sul, sempre na gare da Estação Férrea, já reuniu milhares de pessoas, cerca de 30 bandas e 200 artistas relacionados à música, dança, teatro e artes visuais, gerando a integração e produção colaborativa dos coletivos de cultura. Buscando oferecer uma programação diversificada, além dos shows que contam com os mais diferentes estilos musicais, o festival sempre abre espaços para terapias alternativas, oficinas diversas, debates sobre produção cultural, exibição de filmes, exposição de fotos e mobilidade urbana.

Integrante da Rede Brasil de Festivais Independentes, que no segundo semestre de 2012 realizará 107 festivais, 88 cidades, 6000 artistas e agentes culturais pelo Brasil, o Manifestasol sempre teve em sua essência a transversalidade das artes, a integração dos sujeitos e construção coletiva.

Em 29 e 30 de novembro, teremos atividades de formação e em Cobertura Colaborativa, Mídia Livre e Economia da Música, para um grande movimento de integração das artes no sábado, dia 1º de Dezembro de 2012. Prepare-se, vai ser histórico!

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